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Depois da chegada do seu primeiro filho, o Bruno percebeu que, quando chega uma criança à família, nascem outras duas pessoas: uma mãe e um pai.

E, dessa forma, novos pontos de vista são percebidos, num processo contínuo. Ao longo do tempo, todos se transformam juntos, e o amor muda a cada dia. Ele se constrói e se torna mais forte. Tem a ver com uma relação de admiração mútua, ele explica.

As crianças têm uma perspectiva única, seja por causa da sua altura, seja porque muitas vezes elas estão vendo algo pela primeira vez. Isso faz toda diferença para a interação com um objeto bonito ou com uma obra de arte, que mexe de forma diferente com cada pessoa. Olhar para os objetos e para o mundo com curiosidade e frescor faz parte da rotina profissional do Bruno. Como designer, ele percebe o quanto é importante tentarmos renovar nosso ponto de vista para buscar saídas inovadoras para os problemas. Além disso, ele acha essencial que as soluções sejam pensadas para contemplar toda a diversidade dos que vão fazer uso dos objetos, sejam eles adultos ou crianças.

O Bruno, apesar de não ser natural de Brasília, elegeu a cidade para construir sua família porque aqui ele consegue um contato com a natureza muito maior do que em outros centros urbanos. Outra razão para sua escolha é a forma que sua arquitetura estimula as pessoas a criarem novos olhares a partir das diferentes perspectivas e escalas. Os traços da cidade, os eixos, os brises, a mistura do concreto com o verde são oportunidades para uma criança crescer com um olhar apurado.

Todos esses espaços, na visão do Bruno, são playgrounds em potencial.

Se um parquinho é claramente um playground, o apartamento em que ele mora com a família, o pilotis, a cidade toda também podem ser. Sob o olhar das crianças, objetos, formas, cores, tudo se torna novo e um lugar para explorar. É da interação entre elas e o espaço que surgem as brincadeiras. A criança cria um playground a qualquer momento, a partir do seu imaginário.

O Bruno Ebo é designer e pai do Pedro e de um bebê que vai chegar em alguns meses. Nascido em São Tomé e Príncipe, morou em Portugal antes de se mudar para o Brasil, onde vive há 13 anos.