brasília

Quando Marcus sai do aeroporto e vê as linhas retas do Eixão, ele sabe que chegou em casa.

A identidade de Brasília se mistura à da sua casa. E se mistura à sua própria. Foi com o desenho da capital, por exemplo, que ele aprendeu sobre a importância dos espaços vazios como potencial para criação. Com os pilotis, que tornam o espaço mais aberto para a circulação e para o olhar, ele aprendeu a importância de uma cidade mais democrática.

O Marcus percebe que cada centímetro do Plano Piloto existe por uma razão, do uso de pilotis à escala do Eixo Monumental, da acústica da Concha ao paisagismo da 308 Sul. Esse cuidado ensina a ele e a todos nós que um pensamento estético e estratégico transforma elementos corriqueiros em obras de arte. Existe uma intenção muito clara dos especialistas que se envolveram na construção da cidade. Eles eram urbanistas, arquitetos, paisagistas, artistas plásticos e pessoas comuns, os candangos que se deixaram envolver em uma história quando ela ainda era um sonho.

O empenho transforma Brasília numa cidade com potencial enorme para narrativas. Além dos monumentos do projeto urbanístico, muitos estabelecimentos contam histórias. Sejam aqueles que resistem ao tempo e mantêm há décadas sua identidade, sejam aqueles que respondem aos vários movimentos da cidade. São projetos impulsionados por pessoas que saem de Brasília, se renovam e voltam trazendo aquilo que aprenderam. Para o Marcus, a cidade tem cada vez mais isso.

Ele quer que as pessoas saiam pela cidade e apreciem o fato de que tudo em Brasília foi muito bem pensado.

O Parque da Cidade, por exemplo, que foi encomendado para estar no centro, e para ser um dos maiores parques do mundo. O lugar de cada árvore foi pensado por um paisagista. Um urbanista desenhou os formatos de tudo. Aquele quadradinho que é o banheiro foi todo planejado: os seus azulejos, as cores específicas, tudo para que o parque inteiro fosse uma obra de arte.

O Marcus é produtor de moda e nasceu em Brasília, onde mora desde então de forma minimalista para ter a sensação que poderia guardar tudo em uma mala apenas. Ele não pensa em se mudar daqui porque é apaixonado pelo que chama de poesia da cidade.