Entre brancos e tintos

05 de Abril de 2016
Tendências Entre brancos e tintos

Quando na década de 1980, o olhar de enófilos, sommeliers e investidores voltou-se para o Chile, o mundo dos aprecidadores de vinhos deu uma séria balançada. Até então, somente grandes e tradicionais regiões tinham o privilégio de ter as suas garrafas distribuídas nos mais variados países dos cinco continentes, em especial um dos maiores importadores de vinhos do planeta, a Grã-Bretanha. Suas qualidades eram evidentes: vinhos com personalidade, aromas e taninos equilibrados e, acima de tudo, prontos para beber, significando que não precisavam ficar anos em adegas até poderem ser apreciados.

A história dos vinhos chilenos remonta a época da descoberta da América por Cristóvão Colombo. Foi na segunda viagem ao Novo Mundo, em 1493, que as primeiras mudas de uva vinífera, especialmente da Espanha e de Portugal, desembarcaram por aqui, primeiro no Peru, para depois serem plantadas em Santiago, em 1548. As primeiras garrafas, segundo historiadores, serviam apenas para consumo familiar e para celebrações de missas. Foi somente em meados do século XIX que o potencial das vinhas chilenas começou a chamar a atenção. Surgiram então as primeiras vinícolas chilenas, entre ela algumas que existem até hoje, como Carmen, Errazuriz Panquehue, San Pedro, Cousiño Macul e Concha y Toro.

Hoje, existem 14 regiões produtoras de vinho consideradas Denominações de Origem (DO). Todas ficam em vales com terras férteis que recebem os ventos frios e úmidos vindos do Pacífico e dos Andes. A topografia única do Chile permite a existência de diferentes subclimas, com quentes, pouca chuva e baixa umidade e invernos rigorosos, que fazem com que as vinhas produzam uvas de excelente qualidade para o cultivo de uvas viníferas.

Para entender um pouco mais sobre os vinhos e apreciar suas características, a Revista CasaPark conversou com dois dos mais importantes sommeliers do Brasil: Carlos Cabral, responsável por percorrer vinícolas de todo o planeta para as adegas do grupo Pão de Açúcar, e Alexandra Corvo, colunista de vinhos da Folha de São Paulo e da BandNews FM, onde tem um boletim diário, ex-sommelière dos restaurantes D.O.M, Figueira Rubayat, entre outros, e desde 2004, tem sua escola de cultura do vinho – o Ciclo das Vinhas. Enfim, não faltam credenciais para esses dois. A seguir, algumas dicas e conselhos para quem quer se aventurar pelos deliciosos vinhos chilenos.

Principais características dos vinhos chilenos

Alexandra Corvo – Não dá para generalizar o Chile, porque é um país com muitos vales e subclimas diferentes. Mas se eu fosse generalizar o Chile, diria que há uma tendência na produção ao equilíbrio de álcool e ao frescor.

Carlos Cabral – Os vinhos chilenos são prontos a beber. Quando chegam no mercado não há necessidade de guarda, porque as vinícolas cuidam de envelhece-los em suas instalações armazenando-os em toneis de carvalho. São vinhos macios. Todos têm seus taninos já maduros. A variedade de vinhos ofertada é imensa, o que permite uma boa experiência.

Melhores regiões produtoras

Carlos Cabral – Todas são importantes e cada uma tem suas características que se destacam em um ou outro varietal. Todos os vales chilenos são ideais para o cultivo da uva. Cada Vale tem suas características, mas não existe um que se suplanta sobre outro, porque há uma regularidade de qualidade. O Chile é o único país do mundo que tem as melhores condições para fazer vinhos. Seu clima é perfeito, chove muito pouco e a irrigação da videira é feita com o degelo da neve da Cordilheira dos Andes.

Alexandra Corvo – Difícil escolher entre tantas, mas acho que as zonas costeiras e de clima frio serão o futuro do país, como Casablanca, San Antonio, Limari e Malleco.



Por onde começa a aventura

Alexandra Corvo – Escolhendo uma mesma uva, só que vinhos de diferentes vales. Assim, você consegue ir percebendo as diferenças.

Carlos Cabral – Sempre os vinhos básicos, os Reservados (no mercado se reconhece fácil porque são os mais baratos). Esses vinhos estão disponíveis em todas as vinícolas já por varietais, ou seja, por cepa de uva: Merlot, Cabernet Sauvignon, Malbec, Carmenéere, Chardonnay e Sauvignon Blanc. Assim pode-se provar os varietais distintos e depois escolher o que mais agrada e então se passando para a s linhas superiores que são Reserva, Gran Reserva e Ícone.

A Carménère é a uva principal das vinícolas do país

Carlos Cabral – A principal uva do Chile é a Cabernet Sauvignon. A Carménère é uma recente descoberta, pois julgavam se tratar de um Merlot Tardio, o que fizeram foi se agarrar nessa uva e dizer ao mundo que só o Chile produz Carménère de qualidade o que é verdade. Embora seja uma uva originaria de Bordeaux, na França, foi no Chile que ele se adaptou melhor, tanto que a França abandonou o seu cultivo.

Alexandra Corvo – Todas as grandes variedades têm ótimo desenvolvimento por causa do clima estável do país. E há uvas muito mais interessantes que a Carménère. A Carménère é mais uma estratégia de marketing, pois só existe ali.

Entre tintos e brancos

Alexandra Corvo – Os dois. Os rosés também valem a pena ser explorados.

Carlos Cabral – Ambos são bons. Nos brancos, o Chile consegue elaborar Sauvignon Blanc tão bons quanto a Nova Zelândia, com aromas de frutas tropicais e um leve toque mineral na boca. Nos tintos a Carménère é a sensação!

Cinco rótulos para iniciantes

Carlos Cabral – Para os iniciantes, os Reservados de Luiz Felipe Edwards, Concha y Toro, Santa Rita 120, Santa Helena e Santa Carolina.

Alexandra Corvo – Casa Rivas, Montes, Luis Felipe Edwards, Waves e Carmen.

Cinco rótulos para iniciados

Alexandra Corvo – Seña, Don Melchor, Errazuriz, Montes Alpha e Almaviva.

Carlos Cabral – Casa Real, o LFE900, Aves del Sur Águila, Casillero del Diablo e Don Melchor.

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